INTRODUÇÃO I / II / III / IV / V / VI


Para que se preocupar com reencarnações ? Veja, nós reencarnamos a cada segundo... cada instante é uma reencarnação.

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O que você quer quando decide meditar ? A meditação pode ter muitos objetivos possíveis, ou colocando de outra maneira : podemos dizer que há muitos tipos de meditação... para todos os gostos...

Schopenhauer teve um insight muito importante quando percebeu o Budismo como uma vontade-de-morte, como (em sua opinião) uma resposta desesperada à vontade-de-vida da natureza. Freud retrabalhará tudo isso à sua maneira...

Por outro lado, temos também ocultistas nietzscheanos tais como Crowley, que decidem não em uma dissolução final do ego mas pelo contrário em sua divinização (seguindo renascentistas tais como Ficino, Pico e Bruno). E portanto aqui temos práticas espirituais e mágicas alinhadas com a tomada de consciência da Vida como Vontade de Potência.

Tudo isso foi sintetizado pelos Cabalistas Herméticos (note bem, herméticos e não judaicos) como a diferença entre a) o Caminho Místico da Pomba ou da Flecha - ascendente em uma linha reta de Malkuth a Kether passando por Daath e lá efetuando uma escolha de dissolução, e b) o Caminho Mágico da Serpente, vagarosamente subindo através de todas as Sephiroth, fazendo uma escolha auto-divinizante em Daath e finalmente atingindo Kether...

As práticas de cultivo taoísta parecem ser próximas do Caminho da Serpente, enquanto que a meditação budista e as práticas místicas Não-Dualistas em geral parecem ser próximas do Caminho da Pomba/Flecha...

Portanto Crowley estava certo afinal de contas no que se refere ao Adepto do Caminho da Serpente, quando proclamou que "Todo Homem e Mulher é uma Estrela"... pois efetivamente esta divinização implica no final em estruturas materiais cada vez maiores, e não foi por acaso que os antigos gregos atribuíam as estrelas e constelações aos falecidos homens extraordinários ou heróis... alguns até sussurram que nosso Sol atual foi um dia um homem...

Nota : alguns perguntam a razão de autores fazerem uma distinção entre as tradições cabalísticas judaica e hermética. Não seria necessariamente a Cabala algo estritamente judaico ? Na verdade, não. Uma breve explicação histórica : da Idade Média tardia até a Renascença e depois, houve um razoável número de eruditos cristãos e europeus curiosos que estudaram com os rabinos. Eles traduziram alguns textos-chave para o latim (Knorr von Rosenroth) e muitas vezes reinventaram a Cabala para adequá-la às suas convicções religiosas particulares (Reuchlin)... Pico della Mirandola, um discípulo de Ficino, uniu a Cabala hebraica (e já nesse tempo latina também) com as considerações mágicas de teor hermético e neoplatônico de seu mestre. Os Rosacruzes alemães do século 17 herdaram essa Cabala mista, e por sua vez os ocultistas dos séculos 18, 19 e até do 20 herdaram esse mesmo tipo dos R+C... É essa a linhagem que é modernamente chamada de 'Cabala Hermética', afim de distingui-la da puramente rabínica.

Para os puristas, podemos ainda acrescentar que o mítico Abraão (que trouxe a Cabala do Oriente - presumivelmente o Sepher Yetzirah, de acordo com C. Suarès) não era um judeu. E, como até Scholem e Moshe Idel notaram, a própria Cabala judaica é uma mescla de ensinamentos neoplatônicos, gnósticos e helenísticos misturados com tradições propriamente judaicas...

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P : Os Anjos da Guarda são partes de nossa psiquê ou são entidades espirituais independentes ?
R : Na verdade há uma sobreposição constante de realidades... podemos dizer que todo o Universo, visível e invisível, é a nossa Psiquê... portanto Deuses e Anjos são partes de nós e vice-versa, o tempo todo... não há de fato nenhum "dentro" e nenhum "fora"... o que faz as sincronicidades e os sinais serem fenômenos tão naturais...

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“Nothing is true. Everything is permitted”. Esta simples frase, atribuída por William S. Burroughs a Hassan i Sabbah, o Velho da Montanha e chefe do bando dos Assassinos (palavra esta que vem etimologicamente do haxixe que consumiam), resume de forma lapidar a verdade última cognizada ao cabo de inúmeras Iniciações : mantendo a casca da personalidade social, cultural e jurídica, o Vazio criado no interior do Iniciado é um Vazio prenhe de possibilidades, Vazio verdadeiramente Taoísta aonde Mundos são gerados e obliterados continuamente.

Esta frase ressoa profunda e gravemente nos vários níveis : metafísico, ontológico, ôntico, ético, moral, existencial, real e imaginário, consciente e inconsciente, colorido e preto e branco... E, quando esta transmutação é finalizada, a verdadeira Liberdade começa, e com ela o seu prazer.

Quantos véus o Iniciado retirou, afim de ver sua própria nudez. Magnum Opus. Nesse Corpo Interior de Glória, a Luz e a Sombra fundem-se e a Vida finalmente começa, exuberante.

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Eu gostaria de ter mais o que dizer – à medida que os anos passam, tenho cada vez menos... apenas minha prática diária permanece, um encontro com Aquilo que É, cada vez mais profundo... Olhando meus livros, arduamente colecionados através dos anos, sinto que poderia jogar toda minha biblioteca fora... um sentimento interessante. Suponho que seja uma coisa boa, afinal.

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O beijo infamante. Nos autos do processo dos Templários, que ao final condenou-os todos à fogueira, constava o relato de que uma de suas Iniciações consistia em beijar o ânus de um bode a quem chamavam de Baphomet. Para os Inquisidores, esse bode seria a representação do próprio Diabo...

É muito difícil inquirir sobre fatos ocorridos há tanto tempo, porém é interessante lembrar que esse “bode” (animal famoso por sua promiscuidade ou energia sexual) é representado pelo Arcano XV do Tarot. A ele corresponde a Cabra Marinha do signo de Capricórnio, cujo regente é Saturno (identificado com o mais pesado dos 7 metais alquímicos, o Chumbo).

Na distribuição dos 7 metais alquímicos aos 7 Chakras do Corpo Sutil, Saturno/Chumbo corresponde ao Chakra Basal (Muladhara), aonde encontra-se adormecida a Serpente.

Esse beijo é ao mesmo tempo uma Ofídica reverência e uma serpentina propiciação... Concretiza o voto do Aspirante à Gnosis, à Iluminação, ao Despertar e Ascensão dessa Energia. Estranhamente, somos remetidos às doutrinas e práticas da Índia Antiga... Nunca saberemos ao certo de quantas veladas maneiras esse conhecimento tentou chegar ao Ocidente através dos séculos - em heréticas, ocultas e simbólicas roupagens...

Nota : essas conclusões são também demonstradas através das atribuições ocultas dos Arcanos (atribuições cabalísticas, alquímicas e planetárias) e do estudo cuidadoso destes aspectos nos diagramas da Árvore da Vida e do Cubo do Espaço. Não sendo aqui o local apropriado para sua exposição, contento-me em sugerir seu estudo e em apontar nesse contexto a relação oculta existente entre o Arcano XV e o Arcano XXI.

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Intuição pragmática. Talvez chegue um momento no Caminho no qual vamos para além da Verdade – talvez seja apenas uma fase, todavia, e voltaremos novamente a “nos preocupar com a Verdade” no final. Mas nesse ponto, apenas continuamos a polir a telha – através do Método e da Prática.

Talvez seja esta uma fase ‘pósmoderna’ no Caminho. Como ‘tudo é discurso’, toda fala ou ‘Verdades’ tornam-se redundantes... apenas a Ação e seus resultados tangíveis permanecem – resultados obtidos através do Método e da Prática. Isto poderia ser chamado de intuição pragmática, ou mesmo de pragmatismo espiritual.

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Ressonância. Nossa vida como emissão contínua de certo comprimento de onda – um certo ritmo ou batida sutil. Atraímos consequentemente os eventos e pessoas que entram em fase com nosso ritmo. Nesse sentido, a prática regular de alguma técnica meditativa imprime ainda mais claramente essa batida, minimizando o ruído interior e exterior. Isto se traduz em eventos. Este texto, apesar de parecer um lugar-comum, não é um lugar-comum.

SUGESTÃO DE LEITURA

•Itzhak Bentov. Stalking the wild pendulum. Rochester : Destiny Books, 1988.

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Sincronicidades. Quando estas acontecem, temos muitas vezes a impressão de sermos apenas sonhos sonhados pelos próprios Símbolos. Talvez Platão tinha razão, a única Realidade verdadeira é o Mundo das Ideias, e somos apenas pálidos reflexos e sombras.

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HU (Ele), um dos Nomes de Deus - como o som do vento quando cruza as planícies, huuuuuuuu - Imanente, mais próximo que tua veia jugular, como dizem.

Por que nos damos ao trabalho de escrever sobre estes assuntos ? Estas descrições só fazem sentido (e não são apenas flatus vocis) para leitores que tiveram ao menos uma mínima parcela destas experiências. Mas graças a Deus pessoas ainda escrevem sobre elas através das Eras, como mensagens em garrafas jogadas ao mar.

Zahir/Batin, o chiaroscuro da Existência.

O que seria do mundo sem estes testemunhos de Imanência e Transcendência ?

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Kalachakra e Shambhala. O material sobre Kalachakra sempre nos fascinou, e também a relação do atual Dalai Lama com ele e sua concessão de Iniciações de Kalachakra... O Kalachakra Tantra foi sempre considerado como uma das tradições mais esotéricas e ocultas do Budismo Tibetano - Blavatsky foi uma das primeiras escritoras a mencioná-lo publicamente, no século 19.

C. G. Jung amava as Mandalas e sua estrutura usualmente Quaternária... ele considerava que elas expressavam o Self. Concordamos que elas parecem ter um efeito de organização psíquica muito forte... quanto ao Kalachakra, imagine um efeito de organização psíquica em uma escala Global... parece uma ideia interessante, não ? Um homem sábio, o Dalai Lama...

LINKS

•Uma palestra sobre o Kalachakra, por David Reigle.
Site de Reigle, com material muito interessante.


Kalachakra thangka do Mosteiro de Sera, Tibet

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O que “sobra” depois da morte ? O Si-Mesmo, esse Ser ou Oceano que acessamos às vezes na Meditação, esse nível muito profundo de transcendência. A personalidade se dissolve, e “sobra” esse bem-aventurado Oceano. Que sentimento maravilhoso de paz. Nada mais. Acabam-se as ondas na superfície. Transcendência pura.

A gota volta ao Oceano.

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À medida que lemos o último livro de John Michell, que é também seu Testamento Filosófico sobre a Geometria Sagrada, notamos como ele sempre se refere à Jerusalém Celeste como algo presente ou Imanente ao Mundo. É como se apenas precisássemos de olhos para vê-la afim de nos conformar e conformar nossas instituições e sociedade à sua estrutura. Uma referência muito similar à Jerusalém Celeste está no relato de Ibn Arabi de seu próprio Mi'raj ou Ascensão, desta vez de um ponto de vista Alquímico Místico - novamente o tema da Regeneração, dos Metais e do Homem.

Há a mesma estrutura Quaternária na Mandala ou blueprint do Kalachakra e na Jerusalém Celeste, ao lermos a descrição desta última no Apocalipse de São João. Novamente percebemos a razão Esotérica por trás das Iniciações de Kalachakra dadas pelo atual Dalai Lama...

Portanto, parece que a Terra Pura sempre esteve aqui.

Quando fizemos no passado distante um número de sessões de DMT ou Ayahuasca, podíamos sentir distintamente a Terra Pura por alguns dias após o ritual. A realidade cotidiana parecia Regenerada (e nós com ela). Depois este efeito gradualmente desapareceu. Então ficamos com a velha pergunta colocada por Gurdjieff e outros Aventureiros Espirituais : como podemos cristalizar a Mudança Interna para que esta não simplesmente desapareça ?

Tantas vozes, apontando para a mesma direção.

SUGESTÃO DE LEITURA

•Ibn Arabi. L’Alchimie du Bonheur Parfait. Paris : Berg, 1981. Um capítulo de seu monumental Kitab al-Fotuhat al-Makkiya.
John Michell e Allan Brown. How the World Is Made. Rochester : Inner Traditions, 2009.

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© Suetam