INTRODUÇÃO I / II / III / IV / V


Ao invés de imaginar um Pai, porque não uma Mãe de todas as energias ?
Porque assumir que houve um início e que deverá haver um final para o mundo ? Porque não pensá-lo como sempre existindo ?
Se assumimos um Início, o que há 'antes' dele ? Um deus jogando paciência ? Se pensarmos em termos kantianos, é impossível pensar sobre as coisas dessa maneira, como ficou demonstrado na Crítica da Razão Pura.
Logo, como Wittgenstein disse em sua sétima proposição, 'sobre o que não podemos falar, devemos calar'.
Um 'Big Bang' é apenas uma versão moderna de Criacionismo. Portanto deixe tudo isso, sente e medite no Vazio que é Pleno de potencialidades. Desse Vazio surgem as dez mil coisas, inclusive Seres que são muito mais poderosos que o Homem e a quem chamamos de Deuses.

voltar

Se algum dia encontrasses Deus e o desafiasses a se explicar, talvez ele dissesse : "Na verdade sou Bom e Mau, sou Cristo e sou o Diabo, estou dormindo e estou desperto, amo deixar o acaso inserir-se mas quando percebo que posso perder o controle às vezes intervenho para manter o jogo funcionando... Amo criar e é por essa razão que às vezes eu amo e à vezes tenho ciúmes das pessoas criativas, pois elas descobriram meu segredo... de que Todos Nós somos Deuses, de que eu apenas cheguei aqui antes de ti nesse Sistema Solar específico, e de que acima de mim e mais antigos do que mim estão outros Deuses mais poderosos, e assim sucessivamente para cima, indefinidamente. De que a vida é um fenômeno fractal. E de que por vezes fico muito, muito entediado..."

E ele terminaria sussurrando a ti : "Sabias que na verdade não houve Criação ? Tudo tem sido assim desde que nós Deuses conseguimos nos lembrar... tentamos perguntar a nossos irmãos mais antigos e nunca conseguimos chegar a um primeiro criador original... é muito estranho... Alguns de nossos deuses mais jovens sentiram ansiedade com isso, mas eventualmente a deixaram partir..."

voltar

Tatuagens, ou a mística das inscrições corporais. Algumas Ordens Ocultas bastante tradicionais escrevem (com kohl ou com henna) no corpo nu e deitado do viajante astral os sigilos planetários apropriados, mais os sigilos dos anjos, espíritos e daimones durante o ritual de viagem astral, enquanto um oficiante recita calmamente a 'estória' daquele Caminho específico (nesse caso, um dos 32 Caminhos Cabalísticos de Sabedoria, que são compostos pelas dez Sefiras e pelos 22 caminhos entre elas).

Nesse sentido uma tatuagem é um talismã e um amuleto. É similar a uma invocação. A única crítica que se poderia fazer dessa perspectiva sobre a prática atual de tatuagem é que a maioria das pessoas que escolhem antigos símbolos mágicos (sejam estes chineses, celtas, ou outros) não estão na verdade conscientes das energias com as quais estão se conectando... e isto pode ser perigoso !

Além disso, o que as Iniciações Esotéricas na verdade fazem é imprimir tatuagens astrais no corpo astral do aspirante. Estas são tão indeléveis quanto as tatuagens físicas, e talvez até mais que estas pois perduram para além da morte física e auxiliam o iniciado no estado entre-mundos (entre vidas)..

voltar

Fechamento e Abertura. A conclusão, a oitava superior, de todos os aforismas precedentes deste site encontra-se no Poder do Agora. Este site abriu-se com um sonho, e em certo sentido fecha-se ou supera-se no Poder do Agora, na mais completa Presença. Durante anos a busca procurou uma chave, e essa chave, como toda chave oculta, estava bem em frente de nosso nariz. Com a abertura do Portal, é possível continuar o Caminho. Eckhart Tolle sintetiza e abre para nossa época os ensinamentos abertos e ocultos das várias Tradições : o Sufismo, o Zen, Gurdjieff, a mística de Meister Eckhart, e outras tradições arcanas. Através de sua Iluminação espontânea aos 29 anos de idade, mostrou mais efetivamente ainda que Krishnamurti que a Iluminação prescinde de ritos e posturas corporais, que é algo intrinsecamente livre. Para quem estiver preparado, Tolle trouxe o Portal que nos leva ao aprofundamento do Ser e no Ser.


Eckhart Tolle (1948- )

INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA

• Eckhart Tolle. O Poder do Agora : um guia para a iluminação espiritual. Rio de Janeiro, Editora Sextante, 2002.

LINK

Site de Eckhart Tolle

voltar

Temos muitos renascimentos durante nossa vida, afim de nos aproximarmos de nosso objetivo que é uma maior atenção/presença espiritual. Todo o resto não é importante. A transmissão da energia espiritual modifica nossas vidas, acende nosso eu interior e efetua transmutações - do chumbo ao ouro, progressivamente, metaforicamente. É um processo geralmente lento e às vezes incrivelmente rápido, irregular, descontínuo, por saltos discretos. Às vezes anos de estagnação, e então em um espaço muito curto de tempo uma incrível abertura de caminhos, seguida por um fechamento parcial dos portais, como que para apenas dar um antegosto do que a atenção/presença poderia ser. A vida parece ser um laboratório, um experimento em atenção/presença.

voltar

O mundo invisível, isto é, as divindades e almas iluminadas, parecem nos incitar do além a entrarmos nesse estado de Presença. Curioso, pois imaginamos (sempre a imaginação..) que o além de alguma forma seria como uma continuação de nosso tempo cronológico, horizontal. Mas esse incitamento à Presença parece nos dizer o contrário, que essa Eternidade bem-aventurada aonde residem esses deuses e essas almas está em uma verticalidade Presente. Como uma dimensão que nos corta, nos ultrapassa, como um plano que cortasse o nosso plano temporal e não fosse de nenhum modo uma continuação deste. Esse Reino de Deus – presente sempre, aqui e agora. Basta acessá-lo. A Imanência da experiência mística. Deus aqui, o divino aqui. Esse acordar, como é prazeroso, estranhamente vivo e energético, nutritivo. Sente-se o corpo literalmente alimentando-se dessa energia, comendo-a.

voltar

Não há nada além de Aleph, a Sarça Ardente, eterno e ardente Agora. Bronzeando-se no Sol do Ser. O Filho sendo continuamente gerado pelo Pai. Eucaristia. Bem-vindo ao Real.

voltar

Com relação a pedir auxílio a mestres astrais, que fariam esses mestres a não ser exatamente o que fazemos aqui, a saber esforçarem-se em estar cada vez mais presentes, aprofundarem-se cada vez mais na Presença, mais e mais, aonde quer que estejam ? Que fariam eles que nós já não nos esforçamos em fazer ? Esse caminho vertical perpassa todos os Mundos, parece ser universal. O máximo que poderíamos lhes pedir seria sua proteção física e espiritual para que possamos realizar esse trabalho em paz e segurança. Ninguém fará esse trabalho por nós. Então, se o Buda nos aparecer talvez não precisemos matá-lo como algumas tradições pregam, mas gentilmente dispensá-lo, cum granum salis.

voltar

Não faz a menor diferença. Saber os detalhes de nosso Destino, saber o que os astros ou os Deuses nos reservam, não faz a menor diferença no Caminho Vertical da Presença. São como ondas na superfície de um lago profundo, o lago do Ser ou da Presença. Nossas vidas podem ser completamente predestinadas, seus encontros, suas alegrias e tristezas, suas desilusões – e assim parecem efetivamente ser pelo testemunho da prática milenar da vidência. Que seja assim ou que não o seja – não faz a menor diferença. A diferença de magnitude entre o que ocorre ou ocorrerá nessa superfície é incomensurável com a profundidade do Lago, assim como é incomensurável a sua bidimensionalidade comparada com a ampla tridimensionalidade deste.

voltar

Novo
Há algo bastante real quando falamos da Luz como um caminho para o Divino, e as alusões poéticas à 'Luz de Deus' são erroneamente tomadas por simples metáforas. Ecos disto são achados em Sohravardi, como mostrou Corbin. E Goethe, que escreveu um tratado sobre a Luz, teve aquele famoso último desejo quando morria : 'Mais Luz !' A Luz parece nos alimentar fisicamente em níveis espirituais.

voltar

Novo
P : Qual é a melhor religião ?
R : Talvez a espiritualidade sem religião seria a melhor forma desta... consciência sem mente. De tal modo que não necessitaríamos basear nossas identidades egóicas nisso. Mas apenas seríamos isso.

voltar


Novo
P : O que é a Verdade ?
R : A Verdade nada tem a ver com afirmações sobre ela, é silenciosa e Obscura e no entanto é a Mãe de todas as infindáveis coisas. É o que Heidegger chamou de Ser. E é o que Lao Tse se referiu no primeiro capítulo do Tao Te Ching :

o curso que se pode discorrer
não é o eterno curso
o nome que se pode nomear
não é o eterno nome

imanifesto, nomeia a origem do céu e da terra
manifesto, nomeia a mãe das dez-mil-coisas
portanto no imanifesto
se contempla seu deslumbramento
no manifesto
se contempla seu delineamento
ambos... o mesmo saindo com nomes diversos
o mesmo diz-se mistério
mistério que se renova no mistério...
porta de todo deslumbramento

(versão M. Sproviero)

Procurar a Verdade é algo que tem a ver com momentos de atenção/presença, como quando olhamos um céu noturno silencioso e sem Lua.

René Daumal, um escritor surrealista que foi aluno de Gurdjieff em Paris e Fontainebleau, escreveu um romance interessante chamado "O Monte Análogo". É sobre amigos que decidem formar uma expedição para descobrir e escalar essa mítica montanha.

À medida que eles escalam, vão colecionando pedrinhas... que são símbolos desses momentos de verdadeira atenção/presença.

voltar


Novo
P : Deveríamos utilizar mais nossa capacidade cerebral ?
R : Na verdade já usamos demais o nosso cérebro. A Iluminação significa ir além das sinapses neuronais e do cérebro em geral, para além do pensamento... Talvez as pessoas iluminadas raramente falem porque suas mentes estão vazias e elas não têm nada a dizer...

sem sair de casa conhece-se o mundo
sem espiar pela janela vê-se o curso do céu
quanto mais longe se vai tanto menos se conhece

por isso o homem santo...

não perambula... e conhece
não olha... e nomeia
não atua... e realiza

(Tao Te Ching, 47, versão M. Sproviero)

Você conhece aquele homem tranqüilo,
Que está andando pelo caminho, além do aprendizado,
Cujo estado é a não-ação, sem evitar a fantasia, sem procurar a verdade?
Ele sabe que a natureza real da ignorância é a própria natureza de Buddha.


(Sho Do Ka, 1-2, versão dharmanet)

voltar


Novo
Para que se preocupar com reencarnações ? Veja, nós reencarnamos a cada segundo... cada instante é uma reencarnação.

voltar


Novo
O que você quer quando decide meditar ? A meditação pode ter muitos objetivos possíveis, ou colocando de outra maneira : podemos dizer que há muitos tipos de meditação... para todos os gostos...

Schopenhauer teve um insight muito importante quando percebeu o Budismo como uma vontade-de-morte, como (em sua opinião) uma resposta desesperada à vontade-de-vida da natureza. Freud retrabalhará tudo isso à sua maneira...

Por outro lado, temos também ocultistas nietzscheanos tais como Crowley, que decidem não em uma dissolução final do ego mas pelo contrário em sua divinização (seguindo renascentistas tais como Ficino, Pico e Bruno). E portanto aqui temos práticas espirituais e mágicas alinhadas com a tomada de consciência da Vida como Vontade de Potência.

Tudo isso foi sintetizado pelos Cabalistas Herméticos (note bem, herméticos e não judaicos) como a diferença entre a) o Caminho Místico da Pomba ou da Flecha - ascendente em uma linha reta de Malkuth a Kether passando por Daath e lá efetuando uma escolha de dissolução, e b) o Caminho Mágico da Serpente, vagarosamente subindo através de todas as Sephiroth, fazendo uma escolha auto-divinizante em Daath e finalmente atingindo Kether...

As práticas de cultivo taoísta parecem ser próximas do Caminho da Serpente, enquanto que a meditação budista e as práticas místicas Não-Dualistas em geral parecem ser próximas do Caminho da Pomba/Flecha...

Portanto Crowley estava certo afinal de contas no que se refere ao Adepto do Caminho da Serpente, quando proclamou que "Todo Homem e Mulher é uma Estrela"... pois efetivamente esta divinização implica no final em estruturas materiais cada vez maiores, e não foi por acaso que os antigos gregos atribuíam as estrelas e constelações aos falecidos homens extraordinários ou heróis... alguns até sussurram que nosso Sol atual foi um dia um homem...

Nota : alguns perguntam a razão de autores fazerem uma distinção entre as tradições cabalísticas judaica e hermética. Não seria necessariamente a Cabala algo estritamente judaico ? Na verdade, não. Uma breve explicação histórica : da Idade Média tardia até a Renascença e depois, houve um razoável número de eruditos cristãos e europeus curiosos que estudaram com os rabinos. Eles traduziram alguns textos-chave para o latim (Knorr von Rosenroth) e muitas vezes reinventaram a Cabala para adequá-la às suas convicções religiosas particulares (Reuchlin)... Pico della Mirandola, um discípulo de Ficino, uniu a Cabala hebraica (e já nesse tempo latina também) com as considerações mágicas de teor hermético e neoplatônico de seu mestre. Os Rosacruzes alemães do século 17 herdaram essa Cabala mista, e por sua vez os ocultistas dos séculos 18, 19 e até do 20 herdaram esse mesmo tipo dos R+C... É essa a linhagem que é modernamente chamada de 'Cabala Hermética', afim de distingui-la da puramente rabínica.

Para os puristas, podemos ainda acrescentar que o mítico Abraão (que trouxe a Cabala do Oriente - presumivelmente o Sepher Yetzirah, de acordo com C. Suarès) não era um judeu. E, como até Scholem e Moshe Idel notaram, a própria Cabala judaica é uma mescla de ensinamentos neoplatônicos, gnósticos e helenísticos misturados com tradições propriamente judaicas...

voltar

© Suetam