INTRODUÇÃO I / II / III / IV / V

A Trindade. A missa católica é para todos efeitos um potente e solene ritual de magia cuja intenção é coagular e concentrar uma energia cósmica de amor em uma certa quantidade física de pão e vinho. A intenção é que, estando o oficiante e os presentes no devido estado interior, a ingestão desses alimentos impregnados magicamente propiciará uma possibilidade de acesso ou comunhão com essa energia. Essa energia amorosa é o Cristo, segunda pessoa da Trindade e cuja importância ultrapassa em muito a do Jesus de Nazaré histórico (se de fato essa personagem existiu, o que não faz muita diferença). Nesse sentido, Deus Pai representa o aspecto criador da divindade, e o Espírito Santo o agente ou aspecto divino que possibilita a Gnose no Iniciado.

Deus Filho é a energia solidária que une os entes criados, é o fator de coesão e atração presente no universo, a força centrípeta que mantém coeso o universo criado pelo Pai. O Demônio é o inimigo do Filho e não do Pai (que, lembremos, também o criou), ele é a força centrífuga, fator de repulsão entre os entes criados, uma força desagregadora, de desamor ou isolamento. As três pessoas da Trindade e o Inimigo são princípios cósmicos gerais e que podem ser aplicados (mas nunca reduzidos) ao domínio moral. Pelo contrário, esses princípios aplicam-se a todos os reinos da natureza e em todos os ramos da ciência.

Como se vê, só nos resta lamentar as reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II, que em nome de um humanismo bem-pensante retirou da missa sua força, sua eficácia, sua operatividade.

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Heráclito: "Deus é uma criança que brinca". Deus não é um moralista, apesar de todo o caráter socialmente repressor das religiões instituídas pelos homens... É divinamente indiferente ao Criador se nós, pobres átomos, nos comportamos "bem" ou "mal"... Ele está absorto em Sua Auto-Contemplação (que é precisamente o Universo manifestado, visto como Seu Corpo e Espelho), contemplação esta fonte de Absoluto Deleite, Prazer em estado essencial e arquetípico (pois fonte do todos os prazeres possivelmente sentidos por nós). Nesse sentido (mas não só nesse) Deus é o Amor. Mas isso não significa que a lei de causação não exista para os entes criados: nossa índole e nossas ações amorosas ou desamorosas afetarão nossos destinos individuais inelutavelmente e com certeira Justiça... Mesmo assim, como bem entreviu Ibn Arabi, Sua Misericórdia em muito ultrapassa Sua Severidade, e portanto mesmo após infinitos infernos as almas pecadoras serão inevitavelmente redimidas e reintegradas no seio do Criador, nesse hipotético e romanceado "final dos tempos" quando a Divina Criança inspirará para dentro de Si o Universo anteriormente expirado, manifestado. Pois esses "Infernos" não são nenhum castigo divino, são as Prisões de Desamor que estupidamente criamos para nós mesmos aqui e no além-vida. A Criação é o tênue e prazeroso sonho da Divina Criança, sonho minuciosamente detalhado, "cheio de som e fúria" como disse o Bardo, e essencialmente avesso ao espírito de seriedade.

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É incrível e entristecedor como és educado a pensar como sendo indispensáveis para tua vida um monte de coisas que de modo algum o são... Perceba como é perfeitamente possível viver feliz com pouquíssima coisa, e com pouquíssimas expectativas em relação ao futuro, e com pouquíssimas certezas (ou até nenhuma). Talvez esse despojamento seja o pré-requisito essencial para que possas eventualmente ser feliz de modo genuíno e puro. Apenas respire e cuide amorosamente de teu corpo. A vida é linda, estar vivo é uma experiência incrível e fascinante, permita a ti mesmo ser feliz e espontaneamente grato. Para tanto é necessário que te livres de todo teu lixo mental, acumulado há décadas desde teu nascimento, e também que dissolvas gradualmente os bloqueios energéticos de teu corpo. Te darei uma dica valiosa: Reiki e Rebirthing, poderosas técnicas corporais que poderão sutilmente te ajudar no Caminho.


SUGESTÕES:

Reiki:
Usui Reiki (site oficial do Usui Shiki Ryoho e da Reiki Alliance)
•Brigitte Ziegler, Reiki, a energia vital. Blumenau, editora Eko, 1997. Excelente.
•Kajsa Krishni Boräng, Reiki. São Paulo, editora Avatar, 1998. Interessante relato pessoal, além de ser uma excelente introdução ao assunto.

Rebirthing:
IRSP (Instituto de Renascimento de São Paulo)
•Sondra Ray e Leonard Orr, Renascimento na Nova Era. São Paulo, editora Gente, 1997. Clássico. Embora a técnica seja em si mesma claramente eficaz, devemos tomar muito cuidado, todavia, com as espúrias pretensões metafísicas desse movimento.

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O Zero ou o Um? O substrato do existente é o Divino Um (a Divina Mônada) ou o Divino Vazio? Essa pergunta, que nos leva à raiz da diferença de enfoque entre o Hinduísmo e o Budismo, é na verdade mal colocada.

Do Nada, nada pode ser tirado. Pelo contrário, é do Absolutamente Pleno que o mundo é criado e manifestado, por diferenciação e adaptação. O mundo é a especificação cognitiva do Pleno, do Uno. Algo só é percebido (e portanto enumerado) se tivermos fundo e forma, além de um Sujeito e um Objeto de conhecimento. Ora, no Uno não houve ainda a Díade, a mínima e arquetípica separação ou cisão, o Uno não é portanto cognoscível.

A incognoscibilidade do Uno é sentida subjetivamente como Vazio pelo Gnóstico, como ausência de forma e diferenciação. Donde o grande valor psicológico e experimental do Budismo. Todavia, a visão hinduísta é a mais correta metafisicamente. E a visão taoísta será em certo sentido a melhor conciliação entre as duas anteriores, pois nessa última o Dao (Tao) é o Vazio prenhe, vazio criativo, vazio matricial - um Vazio não contaminado pela noção indiana do Zero.

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Geometria Sagrada. Por mais sabiamente que utilizemos o Phi e o Pi e as raízes sagradas de 2, 3 e 5 (que são originariamente proporções e apenas secundariamente números "irracionais"), a Quadratura do Círculo nos dará sempre resultados aproximados tanto em área quanto em perímetro. Ou seja, obtemos resultados que nos dão a falsa impressão de que essa operação é possível, quando na verdade ela não o é.

Considerando tradicionalmente a Geometria Sagrada como uma profunda meditação acerca da Criação/Emanação a partir do Um, podemos concluir que o Divino (Círculo) jamais poderá ser adequadamente materializado (Quadrado). Nenhum Graal O conterá, nenhuma instituição religiosa será Sua depositária, nenhuma ritualização ou sacralização do cotidiano nos livrará de nossa terrena imperfeição.

Que grande bênção é essa constatação, pois nos mostra que a espiritualidade será sempre sutil e livre e visceralmente independente das toscas tiranias religiosas. Ao mesmo tempo, ela será sempre imaculadamente acessível às almas livres que até ela se elevem, que até ela alcem vôo.

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Orgasmo Intelectual. Cherchez la femme, no caso a Metrologia Antiga. Através dela e de seus pés, passos, milhas, estadas, jardas e outras medidas, como que seguindo o fio de Ariadne, chegamos a um grande Hall aonde se confraternizam intimamente a Arquitetura e Geometria Sagradas, megalíticas e clássicas, as Harmonias e sistemas tonais da Música, o Pitagorismo ou Aritmologia, as cidades míticas de Platão, a Gematria Grega e sua fundamental aplicação na compreensão tanto do Novo Testamento quanto do Gnosticismo e da própria Mitologia Grega...

À medida que estudamos esses assuntos, advém não só o maravilhamento socrático, origem de toda a Filosofia, mas também a momentânea e tão preciosa Comunhão da alma com o Logos ordenador de todo (esse) Criado, Logos apreendido através do Número, a mais pura linguagem da alma.

Nos estertores do Mês precessional de Peixes e na Aurora do Mês de Aquário, a Fonte da Filosofia Perene é novamente aberta aos homens de boa vontade.


SUGESTÕES DE LEITURA:

•John Michell, The New View over Atlantis. Londres, Thames & Hudson, 1983.
•John Michell, City of Revelation. New York, David McKay, 1972.
•John Michell, The Dimensions of Paradise. Kempton, AUP, 2001.
•David Fideler, Jesus Christ, Sun of God. Wheaton, Quest Books, 1993.
•Ernest McClain, The Myth of Invariance. York Beach, Nicolas-Hays, 1976.
•Ernest McClain, The Pythagorean Plato. York Beach, Nicolas-Hays, 1978.

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Espanto. É com humildade que enfim descobri a Senhora Blavatsky... O milagre vivo que ela representa nunca foi obstruído pelas constantes difamações, e sobrevive até hoje de maneira forte e evidente. Mulher extraordinária, de temperamento impossível, mística libertária, discípula fiel de seus Mahatmas, a Senhora Blavatsky nos deixou obras de grande valor e erudição: Ísis sem Véu, A Doutrina Secreta, além de A Chave da Teosofia e de A Voz do Silêncio. A Realidade e a Senda Mística são muito mais generosas do que nossa pobre cabeça pode intuir, ao buscador sincero é jorrada Graça Divina na forma de Mestres, obras e encontros notáveis. A gratidão do buscador para com seu destino é de uma grande intensidade, e nada é mais justo. Em suma, o mundo espiritual conspira a favor do buscador sincero, de coração ardente e de desejo puro. É através da inversão do senso comum, através da ardente fé no inacreditável, no impossível, no milagroso, através da prova de fogo que é ser louco aos olhos do mundo - é através disso tudo que nos tornamos dignos de receber as chaves necessárias para nossa evolução espiritual.

Helena Petrovna Blavatsky
1831-1891

Dois Artigos:
•Aryel Sanat, The Secret Doctrine, Krishnamurti, and Transformation. Excelente.
•David Reigle, The Book of Dzyan Research Reports. Muito interessante.

Dois Livros:
•Daniel H. Caldwell, The Occult World of Madame Blavatsky. Tucson, Impossible Dream Publications, 1991. Excelente. Versão resumida online.
•Sylvia Cranston, HPB: The Extraordinary Life and Influence of Helena Blavatsky, Founder of the Modern Theosophical Movement. J. P. Tarcher, 1994. Uma excelente biografia.

Dois Links:
Blavatsky Archives Muita informação e iconografia, com uma ótima seção de links
Theosophical University Press Online Textos teosóficos online

PEQUENA BIBLIOGRAFIA SELECIONADA:

•Blavatsky, H. P., The Secret Doctrine (2 vols). Londres, Theos. Publ. Co., 1888. Várias edições. Extenso comentário às Estâncias de Dzyan. A obra mais importante de HPB, em sua própria opinião.
•Blavatsky, H. P. (trad.), The Voice of the Silence. Londres, 1889. Várias edições. Poema iniciático advindo do mesmo corpus das Estâncias de Dzyan.
•Barker, A. T. (comp.), The Mahatma Letters to A. P. Sinnett. Adyar, Theos. Publ. House, 1923. Várias edições. Material muito interessante, tanto do ponto de vista esotérico quanto psicológico.
•Jinarajadasa, C. (comp.), Letters from the Masters of the Wisdom. Adyar, Theos. Publ. House, 1919 (1st Series) e 1925 (2nd Series). Várias edições. Mais cartas dos Mahatmas.
•Geoffrey Barborka, The Divine Plan. Adyar, Theos. Publ. House, 1964. Um excelente estudo e resumo da Doutrina Secreta.
•David Reigle, The Books of Kiu-Te, or the Tibetan Buddhist Tantras. Wizards Bookshelf, 1994. Pesquisa sobre as fontes tibetanas das Estâncias e da Voz do Silêncio.
•David Reigle, Blavatsky's Secret Books: twenty years' research. Wizards Bookshelf, 1999. Mais informações sobre as fontes tibetanas, conhecidas como Kalachakra Tantra ou Ensinamentos de Shambhalla.
•Aryel Sanat, The Inner Life of Krishnamurti: Private Passion and Perennial Wisdom. Quest books, 1999. Interessante estudo sobre as fontes iniciáticas do ensinamento de Krishnamurti.

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O Paraíso é aqui. Nós não o percebemos ordinariamente, e sofremos em conseqüência com a nossa miséria, nossa pobreza e cegueira. E no entanto ele está aqui, escandalosamente escancarado, irradiando uma Luz que a tudo ilumina e sustenta e da qual a luz solar de um meio-dia estival é apenas um pálido reflexo.

As divisões setenária (teosófica) ou quaternária (vedantina) do Cosmos e do Homem são um expediente didático apenas, pois tudo se dá aqui e agora, concretamente e de forma coesa e conjunta. O Real é Uno, um Todo unificado, e o pensamento analítico o desdobra. O pensamento é dual, o Real não. A divisão entre mundo espiritual (Parabrahm) e material (Mulaprakriti) é outro expediente didático e analítico. Não convém pois confundir o mapa com o território.

Vivemos então num exílio paradoxal, pois estamos em plena Terra de Bem-Aventurança, em plena Terra Pura. Sentir essa realidade concretamente, mesmo que por alguns breves instantes imprevisíveis, é uma pequena Iluminação (kensho).

Como é simples o resultado de árduos esforços espirituais. Não é de se estranhar o proverbial bom-humor dos sábios e adeptos, pois o grande segredo arcano nada mais é do que um segredo de polichinelo uma vez que é descoberto e realizado organicamente pelo Caminhante.

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Krishnamurti. Se houve um radical mestre além-do-Zen no século XX, foi Krishnamurti. Poucos percebem, mas ele de fato foi até o final de sua longa vida o World Teacher, Veículo de Maitreya, Consciência Crística. Nunca negou o intenso preparo iniciatório recebido de Morya e Koot Hoomi para esse fim.

Suas palestras possuem uma didática não-humana, pois produzem tal como um microscosmo ou botão de lótus o estado mutado e radicalmente transformado no ouvinte ou leitor atento. São sementes iniciatórias, miniaturas de um futuro estado pleno e contínuo, de uma humanidade regenerada e retificada. Não há método possível, apenas a plena atenção.


Jiddu Krishnamurti (1895-1986)

INDICAÇÕES DE LEITURA

•Jiddu Krishnamurti, Total Freedom: The Essential Krishnamurti. San Francisco, HarperSanFrancisco, 1996. Excelente coletânea de textos que vão de 1929 a 1985.
•Jiddu Krishnamurti, The First and Last Freedom. Introdução de Aldous Huxley. San Francisco, HarperSanFrancisco, 1999 [1954].
•Jiddu Krishnamurti, Freedom from the Known. New York, Harper & Row, 1969.
•Jiddu Krishnamurti, The Only Revolution. Londres, Victor Gollancz, 1970.
•Jiddu Krishnamurti, The Awakening of Intelligence. New York, Harper & Row, 1973.
•Jiddu Krishnamurti e David Bohm, The Ending of Time. San Francisco, Harper & Row, 1985.
•Aryel Sanat, The Inner Life of Krishnamurti: Private Passion and Perennial Wisdom. Wheaton, Quest Books, 1999. Excelente.

SITES

katinkahesselink.net Site de Katinka Hesselink sobre K. Muito bom.
K-and-C Grupo de discussão.

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Carlo Suarès 1892-1976

A Qabala. Ao contrário do que se pensa, a Qabala não foi nem em seu início algo exclusivo ao povo hebreu - basta lembrar que quem trouxe essa Tradição à Israel foi Abrahão, que, tal como Melquizedeq, não era hebreu mas vinha misteriosamente do Oriente... Faz ela parte na verdade de uma Tradição muito mais ampla e outrora universal, hoje perdida para a maioria. Cumpre portanto resgatá-la tanto do Rabinato quanto das distorções esotérico-cristãs que a ela se agregaram na história ocidental.

Ciência do que é, da Energia e seus continentes, a Qabala pode hoje renascer graças aos esforços que se extenderam em duas ondas. A primeira foi o trabalho de contemporâneos e correspondentes de Blavatsky, espíritos profundos tais como Ralston Skinner e Isaac Myer. A segunda onda deu-se através de um amigo e colaborador de Krishnamurti, o pintor e escritor alexandrino Carlo Suarès.

A Qabala é radicalmente, fundamentalmente subversiva, alheia e contrária às agendas religiosas de qualquer grupo ou autoridade que seja, cabe a você resgatá-la para si, sem qualquer espírito de rebanho... A Liberdade sempre esteve disponível ao Homem, mas na verdade muito poucos a desejam.


SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

•Carlo Suarès, Mémoire sur le retour du rabbi qu'on appelle Jésus. Paris, Robert Laffont, 1975.
•Carlo Suarès, La Bible Restituée. Genève, Éditions du Mont-Blanc, 1977.
•Carlo Suarès, Le Sepher Yetsira: le livre de la structuration. Genève, Éditions du Mont-Blanc, 1968.
•Carlo Suarès, Le Cantique des Cantiques. Genève, Éditions du Mont-Blanc, 1969.
•Carlo Suarès, Les Clés du Sacré. Genève, Éditions du Mont-Blanc, 1975.
•J. Ralston Skinner, Key to the Hebrew-Egyptian Mystery in the Source of Measures (1875-6). Minneapolis, Wizards Bookshelf, 1975.
•Isaac Myer, Qabbalah: the philosophical writings of Avicebron (1888). New York, Weiser, 1974.
•Nurho de Manhar (trad.), The Zohar: Bereshith - Genesis (1900-1914). San Diego, Wizards Bookshelf, 1978.

SITE

Psyche.com Excelente site sobre QBL e Carlo Suarès, com muita pesquisa original.

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Manly P. Hall (1901-1990)

Às vezes me perguntei se haveria uma introdução realmente boa aos interessados em estudar a Tradição Ocidental. Teria de ser uma obra erudita mas não acadêmica, espiritual porém não sectária. Deveria também ser bela, mostrando em profusão os diagramas simbólicos de nosso métier, pois nossas Mandalas Ocidentais (como diria McLean) são ao mesmo tempo incríveis sínteses mnemotécnicas e objetos geradores de incontáveis insights e desenvolvimentos intelectivos.

Na minha opinião, a única obra razoavelmente recente que satisfaria esses critérios é sem dúvida a conhecida abreviadamente como The Secret Teachings of All Ages, de Manly P. Hall. Seu título correto e completo é na verdade An Encyclopedic Outline of Masonic, Hermetic, Qabbalistic and Rosicrucian Symbolical Philosophy, being an Interpretation of the Secret Teachings concealed within the Rituals, Allegories and Mysteries of All Ages. O título reflete bem a riqueza e beleza desse livro, escrito em 1928 por Hall, um brilhante jovem canadense de vinte e poucos anos que misteriosamente obteve acesso a muitas obras e manuscritos em vários cantos da América e Europa. Uma pista significativa: no frontispício junto à página de título, o portrait oitocentista do Príncipe Ragoczy da Transilvânia, também conhecido como Conde de Saint-Germain.

•Manly P. Hall, The Secret Teachings of All Ages. Los Angeles, PRS, 1988.

Sketch biográfico de Hall
Philosophical Research Society Fundação criada por Hall em 1934

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Correndo o risco inerente às grandes generalizações, às vezes tenho a nítida impressão de que todo o trabalho esotérico, por mais variado e colorido que seja, tem uma finalidade muito precisa e razoavelmente simples (quando se sabe como fazer): o conhecimento, a experiência e o desenvolvimento pleno de nossa fisiologia oculta. Em outras palavras, entrar em contato e desenvolver as potencialidades de nossas várias glândulas corporais, através de técnicas bastante concretas. Essa foi sem dúvida a Ciência do País da Terra Negra, de Al-Kemit, e desde o fechamento do Templo Faraônico tentamos reunir os pedaços dessa Ciência, como Ísis a juntar os pedaços de seu marido Osíris.

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Não se escrevem mais bons livros como antigamente... É espantoso como a qualidade das obras de Esoterismo e Ocultismo caiu nas últimas décadas, autores limitando-se a plagiar ou a inventar as mais incríveis bizarrices.

O século XIX, devido ao enfraquecimento do poder da Igreja, viu o aparecimento de notáveis ocultistas. Em meados do século XIX podemos citar Éliphas Lévi (Alphonse-Louis Constant), que foi uma personalidade incrível e de quem nunca foi possível traçar a exata filiação esotérica. Num certo sentido, Lévi foi o pai do Ocultismo moderno, tanto em sua vertente anglo-saxônica quanto francesa (e européia). A britânica Ordem da Aurora Dourada (Golden Dawn) inspirou-se largamente em seus escritos, e na França do final do XIX foi Lévi o inspirador de Papus (Dr Gérard Encausse) e de seus correligionários, que entretanto nunca o conheceram em vida.

Hoje em dia o estudo aprofundado dos escritos de Éliphas Lévi continua sendo fundamental para quem deseja se iniciar no Ocultismo. Igualmente, algumas Ordens sérias e discretas continuam veiculando adaptações do material oriundo da Golden Dawn, que foi o que de mais sério se produziu nos últimos dois séculos em relação à Tradição Ocidental.


Éliphas Lévi 1810-1875

SUGESTÕES DE LEITURA

•Éliphas Lévi, Dogme et Rituel de la Haute Magie. Paris, Ed. Bussières, 1998.
•Éliphas Lévi, Histoire de la Magie. Paris, Guy Trédaniel, 1990.
•Éliphas Lévi, La Clef des Grands Mystères. Paris, Diffusion Scientifique, 2001.
•Éliphas Lévi, Cours de Philosophie Occulte (correspondance avec le Baron Spédalieri). Paris, Guy Trédaniel, 1990.
•Éliphas Lévi, Le Grand Arcane ou l'occultisme dévoilé. Paris, Guy Trédaniel, 1990.
•Paul Chacornac, Eliphas Lévi, rénovateur de l'occultisme en France. Paris, Ed. Traditionnelles, 2003.
•Chic e Sandra Tabatha Cicero, The Essential Golden Dawn. St Paul, Llewellyn, 2003.

SITES

Twilit Grotto Arquivos de Esoterismo Ocidental
La Rose Bleue Excelente site francês, com muito material
BOTA Builders of the Adytum - Los Angeles
Colégio dos Magos Site brasileiro sério e interessante

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A Magia está no meio do Caminho Espiritual, entre o estado profano e a Reintegração plena. Ela é a demonstração empírica e subjetiva de que todos somos uma coisa só, de que vivemos em uma ilusão de separatividade. Essa coisa única é o próprio Deus, uma Divindade Imanente que utiliza os infinitos indivíduos criados para Seus próprios fins e objetivos, exercendo Sua Vontade (que parece ser a única que existe de fato) através das pseudovontades individuais de cada personalidade.

Quando percebemos que todos somos Um, Um Só Deus Imanente que continuamente cria-se e recria-se a si mesmo em Seu próprio Interior, que dialoga e interage consigo próprio através de Suas inúmeras facetas, então qualquer benefício egoísta que a Magia poderia nos trazer torna-se ridículo, um irrelevante despropósito, pois já não há mais nada a querer, mais nada a desejar, há apenas essa Compreensão e essa Paz.

PEQUENA BIBLIOGRAFIA MÁGICA

•Dion Fortune, The Mystical Qabalah (1935). Samuel Weiser, 1984. Clássico de Cabala Hermética.
•Gareth Knight, A Practical Guide to Qabalistic Symbolism (1965). Samuel Weiser, 1978. Idem.
•Donald Michael Kraig, Modern Magick. St Paul, Llewellyn, 1988. Uma boa introdução.
•Chic e Sandra T. Cicero, Self-Initiation into the Golden Dawn Tradition. St. Paul, Llewellyn, 1995. Importante para os interessados nessa linhagem mágica.
•David Allen Hulse, The Eastern Mysteries. St Paul, Llewellyn, 2000. Importante obra de referência.
•David Allen Hulse, The Western Mysteries. St Paul, Llewellyn, 2000. Idem.
•David Allen Hulse, New Dimensions for the Cube of Space. Red Wheel/Weiser, 2000. Uma importante reflexão espiritual e cabalística sobre o Caminho.

SITES

Society of the Inner Light Grupo fundado por Dion Fortune
Site pessoal de Gareth Knight
HOGD Hermetic Order of the Golden Dawn, ligada a Chic e Sandra T. Cicero
Site pessoal de David Allen Hulse

Site de David Goddard. Novas pesquisas, de grande interesse. Os excelentes livros de Goddard merecem a atenção do pesquisador


D. Fortune (1890-1946)

G. Knight (1930- )

D. A. Hulse (1948- )

D. M. Kraig (1951- )

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