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SUFISMO
E SUBUD
LIVROS
DE SUFISMO
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SUFISMO
E SUBUD
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Ao
perceber a completa confusão que reinava há
alguns séculos (e ainda reina) no mundo esotérico
ocidental, Guénon compreendeu como era importante
ir à fonte de grande parte desse universo, ou seja,
como era fundamental para ele (Guénon) banhar-se
na pura tradição muçulmana, tradição
esotérica profunda, rica, disciplinada por várias
correntes de grandes mestres...
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| Infelizmente
para nós, essa tradição é
dificilmente transplantada para outras regiões
culturais, pois integra-se organicamente ao modo de vida
(ou habitus) muçulmano, e só nele
é plenamente operacional. As tentativas de adaptar
o sufismo ao Ocidente foram pouco felizes. Por outro lado,
viver integralmente esse caminho, que vem de uma cultura
onde ao contrário do Ocidente não houve
uma cisão exoterismo/esoterismo, é praticamente
impossível para um ocidental. A honrosa exceção
à regra é o Subud, potente iniciação
trazida ao Ocidente pelo indonésio Bapak Subuh.
Contrariando a divisão escolástica feita
por Guénon entre Iniciação Virtual
e Iniciação Real, Subud é uma iniciação
real que está sendo oferecida no presente a pessoas
de todos os credos. Para alguns, sua última ocorrência
histórica teria sido no círculo sufi em
torno do shaykh e pólo esotérico
de seu tempo (Qutb) Abd al-Qadir al-Jilâni
(1077-1166), em Bagdá. |

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Bapak
Mhd. Subuh Sumohadiwidjojo (1901-1987)
foto:
Michael Rogge
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| De
todo modo, é fundamental para o iniciado ocidental
poder ler o que esses mestres orientais nos deixaram,
pois constitui um excelente exemplo de ortodoxia esotérica
ininterrupta. O legado e exemplo dessa centenária
tradição podem ser instrumentais para o
saneamento intelectual e metafísico de nossa própria
tradição. No caso, é claro, de querermos
torná-la operacional novamente... O que talvez
não seja mais necessário, pois ao contrário
da tradição muçulmana, existem hoje
outras tradições externas mais facilmente
aclimatáveis ao Ocidente. |
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Com
relação a Dante, ao lermos sua De Vita Nuova,
onde descreve seu encontro com Beatriz, acharemos facilmente
o simbolismo Sufi, do mesmo modo como o abade Miguel Asín
Palacios percebeu o Sufismo presente na Divina Comédia.
Após ler De Vita Nuova parece-nos certo que
Beatriz nunca existiu em carne e osso, pelo menos do modo
como tanto ela quanto seu encontro com o poeta foram descritos
por esse último. É possível, todavia,
que Dante baseou-se numa mulher florentina real para elaborar
sua metáfora/parábola.
Beatriz parece representar a gnóstica Sophia,
e tudo sobre ela é permeado com a constante referência
ao número 9... Sugestivamente, o uso simbólico
e esotérico dos Quadrados Mágicos, onde o número
9 é essencial, foi uma das várias coisas que
o Ocidente aprendeu dos árabes naquela conjuntura histórica...
Alguns autores sugerem que o grupo neoplatônico ao qual
tanto Dante quanto seu amigo Guido Cavalcanti pertenciam havia
estabelecido contato com o Sufismo... Embora tais assertivas
sejam difíceis de provar, de fato há uma espantosa
semelhança entre o simbolismo específico de
Dante e os escritos não muito mais antigos do grande
Sufi andaluz Ibn Arabi...
O
grupo ao qual Dante e Guido Cavalcanti pertenciam era chamado
Fideli D'Amore... Alguns grupos Sufis consideram essa
fraternidade italiana como tendo sido inspirada pela ordem
Sufi Shadhili do Norte da África... De fato, há
em ambas o mesmo tipo de poesia "amorosa" e as mesmas
convenções simbólicas... Ao que parece
o número 9 era uma referência aos graus iniciáticos
necessários para que Sophia pudesse ser contemplada,
graus simbolizados espacialmente na ascenção
do espírito através dos 9 céus, metáfora
herdada da Gnose pré-islâmica e reintroduzida
no Islam através dos hadiths sobre a Ascenção
do Profeta Muhammad (s.a.w.s.).
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O
tremor da Verdade. Um dos dons do latihan, e não
um dos menores, é o reconhecimento com todo nosso Ser
quando entramos em contato com a Verdade. Nosso corpo e alma
louvam e tremem em uníssono, fortes calafrios que sobem
ao Céu e que saem pela nossa boca que chama e louva
a Deus. É nossa Criança Interior que assim se
exprime, com seu Amor puro pelo Senhor dos Mundos e que tanto
anseia por Sua Glória. A chama busca a Chama e a reconhece
no Mundo. Como é duro e árido o Exílio
longe do Pai das Luzes.
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