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RENÉ
GUÉNON
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RENÉ
GUÉNON

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Guénon
foi um grande mestre-escola para o esoterismo ocidental.
Expulso que foi pelo establishment racionalista
desde a segunda metade do século XVII, nosso
esoterismo foi para a sombra, para a selva, conspurcou-se
de elementos heterogêneos, degenerou-se, iletrou-se,
tornou-se um selvagem, marginal... Perdeu em suma a
necessária disciplina e o rigor iniciático
que perduraram no esoterismo de outras civilizações.
Coube a Guénon sua reabilitação,
seu banho purificador de toda mácula, devolvendo
sua prístina forma e conteúdo... Essa
foi pelo menos a intenção de Guénon,
e devemos julgar por nós mesmos se ele foi bem-sucedido
ou não, e em que grau.
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René Guénon
(Blois, 1886 - Cairo, 1951)
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Sinto,
intuo, percebo através de meu coração
que muitas das formas religiosas que hoje são tidas
como tradicionais são boas, eficazes. Mas isso não
quer dizer, como se apressam a teorizar os guénonianos,
que toda forma tradicional é por definição
boa, e que todo desenvolvimento ou adaptação
espaço-temporal dessas formas seja de per se
mal. Essa suposição guénoniana muito
tem a ver com uma certa visão mítica do desenrolar
histórico: estaríamos em constante declínio
moral, social, religioso... É toda uma ideologia anti-iluminista,
social e politicamente retrógrada. É uma reação
à ideologia dominante e oposta, a do progresso da Humanidade...
No meu entender, a Humanidade ora progride, ora regride, de
maneira não linear e não absoluta, e quiçá
nas questões essenciais ela continue absolutamente
igual...
Uma
prática espiritual é boa se é eficaz
para indivíduos concretos, e acho que esse é
um critério mais razoável. Certo é que
as novas seitas não parecem possuir a mesma qualidade
espiritual das religiões tradicionais, mas seria temerário
induzir grandes conclusões a partir desse fato... Mais
interessante seria compreender intuitivamente o que
seria essa eficácia... Essa compreensão
já seria a própria eficácia de que estamos
falando, ou pelo menos uma parte da mesma. É algo muito
simples, mas não o compreenderás com a cabeça...
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