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PESSOAIS

Louis Cattiaux, Virgem Negra
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É
curiosa a reincidência das imagens de virgens
negras no mundo cristão... No Brasil a festa
religiosa mais importante é a de Nossa Senhora
Aparecida ("aquela que apareceu"), uma virgem
negra miraculosamente descoberta por pescadores... Ela
possui uma longa história de cura de paralíticos...
Fulcanelli escreveu páginas muito interessantes
sobre as virgens negras, símbolos da matéria
prima, e para o povo devoto essas virgens são
algo de terrivelmente ctônico, pré-cristão,
Ísis talvez... |

Apesar
da datação e do provável local aonde
foi escrito o Corpus Hermeticum, é um erro imaginar
que a origem da alquimia ocidental se encontra no gnosticismo
alexandrino. A alquimia é incompatível com uma
visão gnóstica do mundo. O gnosticismo de Márcion,
de Basílides, dos Ofitas, não era considerado
pensamento religioso mainstream em sua época, e parece
derivar de fontes heterogêneas da bacia mediterrânica,
e não apenas do judaísmo ortodoxo ou heterodoxo
daquele tempo. Cometemos um erro em confundir a díade
Luz/Trevas na alquimia com a díade Bem/Mal do gnosticismo.
Isso não acontece em textos místicos de boa
cêpa, como no Cloud of Unknowing e nos escritos
de Jacob Boehme por exemplo.
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O
dualismo, provindo em parte da imensa influência
exercida pelo Timeu de Platão, foi fundamental
na exegese gnóstica das Escrituras judaico-cristãs.
Todavia metafisicamente o dualismo é uma fraca
hipótese, pois entre o não-manifesto (o
Absoluto) e o mundo criado é necessária
uma base comum (ou grund), e essa base só
poderá ser novamente o Absoluto, que é a
derradeira Substância e Essência. A alquimia,
ciência hierática, nunca poderia compartilhar
das opiniões errôneas e dualistas (e bastante
neuróticas) dos gnósticos. A alquimia depende
em grande parte da Graça divina, é "o
Dom de Deus", e portanto demanda piedade. Isso pressupõe
uma divindade benevolente ou pelo menos aplacável.
Não podemos tomar nossos traumas infantis, conseqüência
da privatio boni do homem decaído, como
sendo um sinal da "Escuridão Divina",
pois os primeiros são uma questão moral,
e o segundo é um símbolo metafísico
de outra ordem. |
A
escuridão presente na imagem da "Escuridão
Divina" não significa o Mal. Não devemos
nunca imputar a Deus os horrores que nós mesmos perpetramos
(a 2a Grande Guerra, o Holocausto, talvez toda a nossa história
escrita). Culpemos antes nós mesmos, nossa fraqueza,
nossa ignorância, nossa mesquinhez. Com relação
aos desastres naturais, eles só nos mostram o quanto
somos ignorantes das intenções divinas. Como
Frater Albertus dizia, "Deus seja louvado, pois Ele é
tão bom para nós, crianças".
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Tivemos
dois enfoques distintos no século vinte em relação
à alquimia, um que a considerava como uma arte auto-suficiente
com sua tradição própria, e outro, talvez
de influência rosacruciana, que a inseria dentro de
um sistema mágico-cabalístico. Estou pensando
sobre a relevância desse sistema mágico-cabalístico,
se sua presença mudaria de alguma forma a maneira pela
qual a alquimia sempre foi praticada, se mudaria os próprios
objetivos dessa arte. De um ponto de vista trans-histórico
e transcultural, parece-me que a prática alquímica
não necessita de modo algum desse sistema, que é
de origem especificamente européia e pós-renascentista.
 
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Alguns
textos de R. A. Schwaller de Lubicz, tais como Du symbole
et de la symbolique, lembram bastante a filosofia do Tempo
elaborada por Dogen, grande mestre Zen do Japão medieval.
É interessante ler Lubicz para entender como um adepto
alquimista passa a pensar, como o Elixir afeta ou clareia
a percepção da realidade... Lubicz só
compreendeu o esoterismo egípcio depois do seu adeptado,
e o leu com essa mente repristinada. Deixa claro que para
nós só será possível a compreensão/comunhão
com o pensamento egípcio se efetuarmos uma mudança
de paradigma mental... Percebemos tanto em Lubicz quanto na
experiência Zen a importância da reativação
do cérebro central, ancestral, obnubilado que foi pela
hipertrofia do córtex periférico na evolução
do Homo Sapiens. Nesse sentido, alguns textos do falecido
missionário Zen Taisen Deshimaru ecoam fortemente o
pensamento de Lubicz...
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Uma observação importante: não exageres
na erudição livresca. É claro que acabamos
lendo uma boa quantidade de obras tanto clássicas quanto
modernas, todavia quanto mais autores leres mais perigo estarás
correndo de perder o fio de Ariadne, pois cada um deles fez
a sua Obra, e a expressam de modo simbólico diverso
e não raro contraditório. Portanto escolha tua
Via, descubra os segredos relacionados a ela, e ao mesmo tempo
escolha alguns bons autores para ler e reler. Essa parece
ser a única maneira para que consigas sair de teu scriptorium
e para que entres no laboratorium...
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Contra todo senso comum, que é um dos maiores inimigos
da espiritualidade e da alma, não foi só a Arte
Ogival que o Oriente legou aos maçons medievais europeus...
A Alquimia salta à vista nos baixos-relevos de Notre-Dame
de Paris, na Catedral de Amiens, na Capela São Tomás
de Aquino, na Sainte-Chapelle, só para citar algumas
igrejas descritas por Fulcanelli em seu primeiro livro. É
uma questão em aberto se de fato a Tradição
Hermética passou posteriormente dos maçons operativos
para os especulativos, mas, ao contrário dos historiadores
profanos, é impossível negar de boa-fé
o caráter não só corporativo mas profundamente
esotérico dos velhos construtores de catedrais... Verbum
dimissum, palavra perdida, Mercúrio Duplo.
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Os escritos de Coton-Alvart. Foi uma grata surpresa encontrar
todas essas considerações gnóstico-cristãs
na pena de um operativo contemporâneo... Coton-Alvart
expôs uma mística da Luz na melhor tradição
indo-européia. Podemos traçar paralelos também
com a mística da Luz que se encontra no pensamento
taoísta... Além disso, o modo como o autor pensa
a Revelação cristã pareceu-me muito próximo
do gnosticismo alexandrino de um Basílides ou de um
Marcião...
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Paris
et l'Alchimie. De todo o itinerário alquímico
proposto por Bernard Roger em Paris, interessei-me particularmente
pela igreja N. Dame des Blancs-Manteaux, com seu simbolismo
axial, sua Virgem Apocalíptica, sua localização
quase que escondida e extremamente discreta... Ela impressionou-me
fortemente. Uma igreja completamente iniciática. A
igreja de Saint-Merry interessou-me muito também por
seu Baphomet, é evidente, mas sobretudo pelo simbolismo
de sua rosácea setentrional, evocando novamente a questão
axial, o Norte Polar...
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René
Schwaller, que dizer de ti? Uma profunda intuição
intelectiva em uma personalidade tão misântropa!
Tua personalidade era estrangeira ao nosso tempo democrático
(no sentido pejorativo usado pelos gregos), antes pertencia
à elite teocrática da terra ensolarada
que estudaste. Mas o que ficou foi tua Obra, e ela é
de grande, profundo interesse. Na
qualidade de filósofo hermético (ou de
Adepto, não saberemos) conseguiste intuir, comungar
e nos transmitir o majestoso legado iniciático
de Al-Kemit, da abençoada Terra Negra
do Egito. Com isso conseguiste redimensionar o esforço
alquímico, inserindo-o em seu contexto iniciático
maior e originário... Quão pouco nosso
esforço tem em comum com as simplistas e democráticas
religiões posteriores, das quais todavia tomamos
emprestado por segurança a roupagem e piedade
exteriores...
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René
A. Schwaller de Lubicz
1887-1961
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SUGESTÕES DE LEITURA
Nota: Há tradução em inglês
para os livros citados abaixo (editora Inner Traditions)
Isha
Schwaller de Lubicz, Her-Bak "Pois-Chiche".
Paris, Flammarion, 1955. Romance iniciático que é
uma excelente introdução à obra de seu
marido.
Isha Schwaller de Lubicz, Her-Bak "Disciple".
Paris, Flammarion, 1956. Idem, sendo a continuação
do primeiro.
R. A. Schwaller de Lubicz, Du Symbole et de la symbolique.
Cairo, Schindler, 1951. Ideal para se familiarizar com o pensamento
do autor.
R. A. Schwaller de Lubicz, Le miracle égyptien.
Paris, Flammarion, 1963. Excelente resumo de sua obra, sem
a matemática envolvida e com claras referências
alquímicas.
R. A. Schwaller de Lubicz, Le Temple de l'Homme:
Apet du Sud à Louqsor. Paris, Caractères,
1958. A obra-prima de Lubicz. De difícil acesso e proveitoso
estudo.
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Energia
Livre/Ciência Atlante. Antigravidade, ZPE (zero point
energy), Tesla, Keely, Reich, Energia das Formas e assuntos
correlatos são, além de fascinantes em si, uma
ponte interessante tanto para as diversas terapias holísticas
ou de energia atuais, quanto para temas de esoterismo mais
tradicional tais como Geometria Sagrada, Alquimia e Magia.
Sua compreensão pode ajudar a otimizar os diversos
procedimentos dessas terapias e ciências.
Além
disso, a convergência dos assuntos citados com as 'ley
lines' (global grid) da geomancia megalítica parece
apontar para a redescoberta de uma sofisticada ciência
pré-histórica, possivelmente 'Atlante', ciência
unitiva e energética da qual a Alquimia seria uma
das aplicações.
SUGESTÕES SOBRE CIÊNCIA MEGALÍTICA:
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John
Michell, The New View over Atlantis. Thames and
Hudson, 1983. O livro seminal sobre ciência megalítica.
Excelente.
John
Michell, The Dimensions of Paradise. Kempton,
Adventures Unlimited Press, 2001. Brilhante pesquisa
feita por uma mente igualmente brilhante.
Mid-Atlantic
Geomancy (bom site introdutório sobre ciência
megalítica)
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John Michell (1933- )
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SUGESTÕES
SOBRE ENERGIA LIVRE:
G.
Harry Stine, Amazing and Wonderful Mind Machines You Can
Build. Top of the Mountain Pub., 1994. Propõe vários
experimentos simples e caseiros. Excelente.
Dan
A. Davidson, Shape Power. Rivas Pub., 1997. Excelente
pelo enfoque unitivo teórico derivado de extensa experimentação.
Cobre um amplo espectro de assuntos.
Dan
A. Davidson, Energy: Breakthroughs to New Free Energy Devices
- History and Current Status of Developed Free Energy Devices.
Rivas Pub., 1989. Excelente introdução a esse
campo de pesquisa.
KeelyNet
(importante site de pesquisa coletiva sobre Energia Livre
e suas aplicações, dirigido por Jerry Decker
- contém grupos de discussão)
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| Adeptado.
Podemos ser exímios químicos, mas
só chegaremos ao Sol através do refinamento
de nosso corpo sutil ou energético, o que se dá
através do refinamento de nossa espiritualidade
(e vice-versa). Esses dois refinamentos são aspectos
ou facetas de uma mesma coisa, de uma mesma regeneração.
A Pedra pode ser considerada como o diploma ou
atestado de que essa regeneração de fato
ocorreu no operador, e quem sabe seja essa sua virtude
principal...
A
técnica química é portanto necessária
mas de modo algum suficiente. Eis a diferença
essencial entre Química e Alquimia, e podemos
dizer que na Obra a Química é instrumentalizada
e englobada pela Alquimia.
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Obra de Kamala-Jnana, 38
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Imaginação
Quântica. Um trabalho extremamente interessante vem
sendo desenvolvido por F. A. Wolf, um físico teórico
com interesses espirituais/metafísicos influenciado
tanto pela Qabala de Carlo Suarès quanto pelas canalizações
da entidade Seth. Essa entidade expõe uma visão
espiritual/metafísica com inúmeros pontos de
contato com a atual Física Quântica. Evidentemente,
o valor dos vários insights de Wolf e Seth dependerá
de sua aplicabilidade concreta em nossas vidas e em nossa
Arte, e a independência desses autores em relação
à Tradição Oculta pode ser um fator altamente
positivo e criativo.
SUGESTÕES
DE LEITURA
Bob
Toben e F. A. Wolf, Space-Time and Beyond. E. P. Dutton,
1975. Excelente.
Fred Alan Wolf, Taking the Quantum Leap. New
York, Harper & Row, 1981. Excelente.
Fred Alan Wolf, Mind into Matter. Portsmouth,
Moment Point Press, 2001. Interessante.
Fred Alan Wolf, Matter into Feeling. Portsmouth,
Moment Point Press, 2002. Interessante.
Jane
Roberts, The Seth Material. Prentice-Hall, 1970. Muito
interessante.
Jane Roberts, Seth Speaks. Prentice-Hall, 1972.
O primeiro livro "escrito" por Seth.
Jane Roberts, The Nature of Personal Reality.
Prentice-Hall, 1974. O segundo livro de Seth.
Norman Friedman, Bridging Science and Spirit. Eugene, Woodbridge
Group, 1997. Um excelente estudo sobre as interfaces entre Seth, David Bohm e
Ken Wilber.
Filme : What the Bleep do We Know ? (USA, 2005)
SITES
F.A.Wolf
Site pessoal de F. A. Wolf
Spiritual-Endeavors/Seth
Um bom site introdutório sobre Seth
Bibliografia comentada de Seth/Jane Roberts
Site do documentário What
the Bleep
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O
Feto Imortal (in: O Segredo da Flor de Ouro)
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Ko Hung, autor do Pao Pu Tzu (aprox. 320 d.C.),
já salientava que a busca da Pílula da Imortalidade
(ou Pedra Filosofal, no linguajar ocidental) deveria ser
acompanhada de técnicas respiratórias, corporais
e sexuais por parte do Operador. Essas técnicas
visam a coletar e armazenar o máximo de Energia
Cósmica Sutil no organismo, e a prevenir desperdícios
energéticos desnecessários. Ou seja, Ko
Hung intuiu/transmitiu algo ao meu ver absolutamente correto,
isto é, de que para trabalhar com as energias cósmicas
o Operador deve concomitantemente aprender a trabalhar,
purificar e revitalizar as energias que circulam em seu
próprio organismo. |
Na
verdade não há linha divisória entre
a chamada Alquimia Interior e a Alquimia de laboratório,
pois as principais reações alquímicas
no Athanor só ocorrem e de fato parecem se alimentar
da energia pessoal do Operador. Se o Operador estiver exaurido
energeticamente é pouco provável que a Obra
evolua. Donde a relevância (e urgência) para nós
das práticas internas advindas do Taoísmo Esotérico.
SUGESTÕES
DE LEITURA
Eva Wong (trad.), Cultivating Stillness. Boston, Shambhala, 1992.
Eva Wong (trad.), Harmonizing Yin and Yang. Boston, Shambhala, 1997.
Eva Wong (trad.), Cultivating the Energy of Life. Boston, Shambhala, 1998.
Eva Wong (trad.), The Tao of Health, Longevity and Immortality. Boston, Shambhala, 2003.
Eva Wong (trad.), Nourishing the Essence of Life. Boston, Shambhala, 2004.
Eva Wong (trad.), Holding Yin, Embracing Yang. Boston, Shambhala, 2005.
SITES
The
Golden Elixir Site acadêmico sobre Alquimia Chinesa,
com muito material
Su
Tzu's Chinese Philosophy Page links de filosofia chinesa
em geral
Site da Sociedade Taoísta do Brasil
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Novo
De um ponto de vista esotérico e também taoísta, a Alquimia, seja ela interna ou externa, espiritual ou laboratorial, oriental ou ocidental, é a única forma dos seres humanos se libertarem da roda de renascimentos. O resto das artes espirituais são preparações a ela. Em incontáveis vidas, em algum momento a ocasião se apresentará. Dê o primeiro passo.
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