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MANCIAS
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INTRODUÇÃO
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MANCIAS
As
artes mânticas são uma maneira de nos aproximarmos
do divino, a adivinhação remete e é agenciada
pela Divina Ação... O Tarot, em especial, devido
à sua abissal riqueza iconográfica, vai muito
mais além, leva-nos até as imagens arquetípicas
que constituem a Anima Mundi, matriz de todo pensar
possível... Sigo aqui o itinerário plotínico
e não o junguiano, evidentemente...

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A
mancia não necessita da postulação de
um Real para além do fluxo fenomênico, de uma
essência para o existente, de uma coisa em si... Aliás
ela trabalha muito bem sem essas noções, e explica-se
melhor sem elas, sinal de que a tradição filosófica
ocidental é inadequada par dar conta do único
Real que de fato existe, do Real que está escancarado
para quem quiser ver e que é esse constante fluxo dos
fenômenos...
Com relação à coisa em si, acho que essa
é uma dicotomia tipicamente mental. Outras: ação
e agente, sujeito e objeto, corpo e mente, essência
e existência, eu e o outro.
Nesse sentido, para mim a mancia, e na verdade qualquer coisa
ou atividade sob o Sol, é o Ser, ou no meu entender
o Devir, termo mais apropriado. Prefiro o Devir pois a idéia
de Ser já pressupões algo que é, algo
com uma essência fixa. É necessário implodir
essas noções, elas maniqueízam o pensar.
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"Como
posso masterizar o I Ching?"
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Compreende-se
e integra-se existencialmente o I Ching estudando
e praticando o Taoísmo durante uma vida inteira
(ou várias...). O mesmo se aplica para as outras
mancias, no sentido do tempo e do compromisso envolvidos.
É na verdade uma opção de vida,
total, e não um hobby, passatempo ou simples
disciplina intelectual. É necessário também
um mestre vivo para te ensinar diretamente, pelo menos
de acordo com essas cosmovisões tradicionais.
A conotação de 'masterizar' não
é muito apropriada nesse tipo de empreendimento
existencial. Tornar-se mestre, subjugar, servilizar...
Isso lembra o Arcano VII do Tarot, O Carro, arcano
precipitado, imaturo, egocentrado, que ruma muitas vezes
ao desastre. |
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A
renascença da astrologia tradicional foi o trabalho
árduo de todo o século XX. Quando Alan Leo
reintroduziu a astrologia no Ocidente, na Inglaterra do
século XIX, o fez de modo popular e portanto extremamente
empobrecido... Foi graças ao trabalho de Adolf
Weiss que pudemos recuperar o legado da astrologia européia
do século XVII. E foi também graças
aos esforços de ingleses como Geoffrey Cornelius
e Olivia Barclay que pudemos resgatar o legado setecentista
da astrologia horária européia. |
| O
século XVII viu a culminação européia
do saber astrológico, seguida em breve de seu completo
ocaso. De um lado da Mancha tivemos Jean-Baptiste Morin
de Villefranche com sua Astrologia Gallica (1661),
suma de todo o saber acumulado de astrologia judiciária.
Do outro, tivemos William Lilly, o intuitivo hierofante
da astrologia horária e sua Christian Astrology
(1647). |
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William
Lilly
(1602 - 1681) |
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A
astrologia horária é a antiga disciplina astrológica
que consiste em interpretar o horóscopo do momento
em que uma pergunta é formulada, afim de nele achar
a resposta da mesma. A astrologia horária é
a origem mântica e mágica da astrologia como
a conhecemos atualmente... A astrologia foi durante muitos
séculos predominantemente mântica ou adivinhatória,
e com o tempo surgiu sua variante genetlíaca ou judiciária,
consistindo no estudo de trânsitos e progressões
com base em um horóscopo natal, e outras técnicas
posteriores como as partes arábicas, as revoluções
e os enquadramentos. Essa transição histórica
foi muito importante, alçando essa arte puramente mântica
à condição de uma arte/ciência
dotada de uma cosmovisão totalizante.

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A geomancia tradicional é a antiga ciência árabe
e posteriormente européia de interpretar certas combinações
pares ou ímpares de traços ou pedras. São
feitas várias jogadas, que formarão um sofisticado
sistema em forma de brasão. Esse sistema desapareceu
do cenário europeu a partir da segunda metade do século
XVII, mas continuou a ser praticado no mundo muçulmano...
Hoje existem tentativas de reintroduzir essa prática
no Ocidente...
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O
ideal seria que não usássemos tanto as artes
adivinhatórias, pois podem acabar sendo em muitos casos
muletas existenciais que enfraquecem o caráter e a
fibra moral necessários a encarar a vida como ela é.
A vida se dá aqui e agora, para além
de alegrias ou tristezas. Mas poucas são as pessoas
capazes de viver a vida como os velhos estóicos, e
talvez devamos ser gratos a elas, já que sem sua inquietação
mântica não teríamos intuído esses
ricos sistemas simbólicos, sistemas que nos ultrapassam
e que nos fazem acessar domínios que transcendem nosso
humano engenho.
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- Qual a Sabedoria que se obtém com o conhecimento
astrológico?
- Em primeiro lugar, aprendemos a conhecer como funcionamos,
a estrutura energética de nossa personalidade e suas
potencialidades latentes. Isso é obtido pelo estudo
aprofundado de nosso mapa natal. Em segundo lugar, e tão
importante quanto esse conhecimento de si, é o acompanhamento
atento dos trânsitos (e progressões, e revoluções)
que afetam nosso mapa no decorrer dos anos. A Sabedoria que
daí decorre é o brotar de uma certa neutralidade,
um certo desapego ao que nos sucede de bom ou ruim. Tudo muda
constantemente. O bem e o prazer são temporários,
o mal e a dor também. Com o olhar atento e curioso,
aceitamos o que nos sucede sem nos preocuparmos demasiado.
A Astrologia propicia portanto uma atitude Zen em relação
à vida, o que me parece muito saudável.
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Sabemos tão pouco do porquê das coisas, mas pelo menos temos algum conhecimento do como elas funcionam.
Falo de Tecnologias Espirituais. De como usar essas energias espirituais, de conseguir fazer coisas com elas. Que é o que os Xamãs pré-históricos faziam e é o que os seus herdeiros continuam fazendo até hoje. Tecnologias tais como a Astrologia, por exemplo.
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Já pensaste no Gnosticismo Antigo ? Em Basílides, em Marcião ? São idéias espiritualmente subversivas... vindas do Mediterrâneo... O Mau Demiurgo deste Sistema Solar específico (usado por Descartes em sua 1a Meditação) que nos tem em grilhões espirituais nesta esfera sublunar... Portanto o Gnóstico deve aprender as senhas que cada Archon ou Demônio Planetário requer, para desse modo poder ascender ao Reino Celeste (Estrelas Fixas, Primum Mobile aristotélico) aonde reside o Deus Exilado. A mesma imagética é reencontrada no Corpus Hermeticum.
Os Gnósticos identificaram o Mau Demiurgo com Yahvé, a vingativa divindade judaica, e o Deus Cósmico ou Exilado com Cristo.
Portanto a Astrologia está intimamente relacionada com a busca do Gnóstico... Mitologicamente e também Ritualmente através da Magia Planetária.
Esses são todos coloridos discursos mitológicos (assim como o Sefer Bereshith ou Gênesis, por exemplo), mas exemplificam como podemos ver a espiritualidade de diferentes maneiras. Falando em S. Bereshith (ou Gênesis), há um grande Cabalista Judeu e Gnóstico que escreveu magnificamente sobre ele, Carlo Suarès.
Portanto a Astrologia é na verdade algo central na Busca Espiritual. É a Dança dos Sete Véus, onde o iniciado liberta-se sucessivamente dos grilhões do Destino tal como este é expresso pelo seu mapa natal e pelos seus conseqüentes trânsitos. Nesse sentido ele reconecta com seu Eu Superior que é simbolizado pelo Cristo, onde os quatro elementos estão equilibrados como os quatro animais evangélicos em um círculo à sua volta na iconografia tradicional, o Cristo como Quintessência Cósmica ou Espírito Estelar. Esta é a mesma Quintessência Espiritual que vemos livremente dançando
dentro da Mandorla do último Arcano do Tarot, a saber O Mundo ou Universo. Universo enquanto oposto ao acorrentado Sistema Solar do Demiurgo. Como é o último Arcano Maior, indica que esse é o resultado e objetivo final da Grande Obra. Portanto, ironicamente, estudar e praticar a Astrologia é em certo sentido "conhecer seu inimigo", a saber o Demiurgo e seus Archontes. E isto é feito Sob a Rosa Negra, como Marsílio Ficino sussurraria...
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A influência cultural da Geomancia Árabe. No Brasil há pequenas conchas marinhas chamadas búzios (Cassis Tuberosa), que são usadas pelos cultos Afro-Brasileiros para adivinhação... sua estrutura mântica (4X4=16) nos lembra a Geomancia Árabe, a mesma que migrou também para a Europa no final da Idade Média... é possível (e provável) que houve nesse caso intercâmbios culturais, levando-se em conta que essa forma de adivinhação chegou ao Brasil vinda da Nigéria e do Benin (Daomé)...
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Novo
O eixo do Dragão. Como observa D. Giraud, para os antigos astrólogos védicos a Cabeça do Dragão corresponde aos Asuras e sua Ação, e a Cauda do Dragão aos Devas e sua Meditação e Interioridade. Eu diria que uma corresponde ao movimento centrífugo, e a outra à concentração centrípeta de forças e recursos. O processo como um todo mostra a reunião de forças e energias necessárias à posterior ação sobre o mundo. Neste sentido, o Eixo representado pelo Dragão é de suma importância no tema natal, pois indica o sentido da vida do nativo - aonde o nativo promoverá transformação no mundo (Rahu, ou Caput Draconis), e de onde tirará recursos para tanto (Ketu, ou Cauda Draconis). Indica sua Missão.
Isto posto, é muito curiosa a diferença (e mesmo inversão) de significado dessas Partes que ocorre entre a Astrologia Védica, por um lado, e a Astrologia Árabe e Medieval Ocidental, por outro. No caso árabe e ocidental, esta inversão reflete-se até no significado dado às Figuras Geomânticas homônimas (Caput e Cauda Draconis).
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